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Candidato presidente ou presidente candidato?

%u201CO poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.%u201D Fernando Pessoa

03/04/2018 15:03

Dad Squarisi

Michel Temer é presidente do Brasil. Vai disputar a reeleição? Não vai? Uma dica aqui, uma insinuação ali, um palpite acolá punham fogo na fogueira. Outros louquinhos pelo poder se lançam todos os dias à corrida pelo Palácio do Planalto.


E Temer? Sua Excelência abriu o jogo em entrevista à revista IstoÉ. “Estou na disputa”, disse ele. Pintou, então, a questão. Temer é presidente candidato ou candidato presidente? Parece jogo de palavras. Mas não é. Questão semelhante quebrou a cabeça dos brasileiros no século 19. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis escreveu: "Não sou um autor defunto, mas um defunto autor".

Ao afirmar "não sou um autor defunto", Machado se disse diferente dos demais escritores. Camões, José de Alencar, Clarice Lispector, Nélson Rodrigues escreveram em vida. Morreram depois de publicar os livros. São autores defuntos. Brás Cubas fez uma mágica. Escreveu as memórias depois de morto. Foi defunto que virou autor. E Temer? É presidente candidato. Em outras palavras: presidente que se tornou candidato.

Verbo generoso

Temer pode ser eleito ou elegido? Eleger é verbo generoso. Tem dois particípios. Um regular: elegido. Outro irregular: eleito. Quando usar um ou outro? Com os auxiliares ter e haver, elegido pede passagem. Com ser e estar, eleito: Temer será eleito em outubro? Os puxa-sacos dizem que ele já está eleito. O brasileiro tem elegido bons políticos?  Talvez no passado o brasileiro haja elegido candidatos mais comprometidos com o país.

Quem será?

No primeiro turno, uma legião de candidatos disputará o Palácio do Planalto. Os dois mais votados vão pra segunda rodada. Entrará em cartaz, então, a duplinha ou...ou. As duas conjunções adoram pregar peças em falantes desatentos. A pegadinha: o verbo vai para o singular ou o plural? A resposta: depende da ideia:

1. Se for de exclusão, o verbo fica no singular: Ou João ou Rafael será presidente do clube (só há uma vaga de presidente). Carla ou Maria se casará com Marcelo. Há apenas uma vaga na empresa. Tereza ou Marlene a preencherá.

2. Se for de inclusão (=e), o verbo vai para o plural: Um ou outro convidado saíram mais cedo da festa. Casamento ou divórcio são regulamentados por lei. Quem sairá mais tarde? O professor ou o secretário sairão depois do horário.

3. Se for retificação, o verbo concorda com o núcleo mais próximo: Os autores ou o autor da melhor reportagem receberá o prêmio. O autor ou os autores da melhor reportagem receberão o prêmio. Ele ou nós redigiremos o requerimento. Nós ou ele redigirá o requerimento.

O troféu

“Ao vencedor as batatas”, escreveu Machado de Assis no livro Memórias póstumas de Brás Cubas. “Ao vencedor a faixa presidencial”, escrevemos nós de olho no resultado do pleito de outubro. Enquanto as urnas não dão a palavra final, vale uma diquinha de português. Por que faixa se escreve com x? Eis uma das poucas regras de ortografia do português nosso de todos os dias. Depois de ditongo, o x pede passagem: faixa, caixa, ameixa, queixa, queixo, deixar, peixe, paixão, apaixonado, encaixe, baixar, abaixar, abaixo. Etc e tal.

Leitor pergunta

Tenho dúvidas sobre o emprego das maiúsculas. Já estudei o assunto. Mas a regra entra por um olho e sai pelo outro. No momento, estou enrascada de novo. Esta semana é muito especial. Como escrevê-la? Como grafar os feriados?
Janice Beltrão, Rio

Grafam-se com inicial grandona os feriados religiosos. É o caso de Sexta-Feira da Paixão e Páscoa. Semana santa e sábado de aleluia não são feriados. Daí por que não terem direito a pedigree. Escrevem-se com a inicial pequenina.