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Por causa de uma vírgula (continuação)

"O título é a metáfora essencial do livro.%u201D Ernesto Sábato

15/05/2018 15:40

Dad Squarisi

A cena é familiar. Alguém vai andando galhardamente. Cabeça erguida, ombros eretos, barriga chupada, bumbum encaixado. De repente, não mais que de repente, tropeça. Levanta-se rápido. Desconfiado, olha pra lá e pra cá. Continua a marcha como se nada tivesse acontecido. Mas o estrago está feito. A frase também tropeça. Basta pôr certa vírgula em certo lugar. Mais precisamente: basta provocar o adjunto adverbial que está quietinho, lá no fim da oração.


Na ordem direta, o adjunto adverbial (o termo que indica circunstância – causa, tempo, modo, lugar, comparação, conformidade) vem no fim da frase. Aí, não aceita vírgula.

• Infecção (sujeito) matou (verbo) 24 bebês (objeto) no hospital (adjunto adverbial de lugar).
• O homem (sujeito) está perdendo (verbo) a guerra contra a máquina (objeto) por enquanto (adjunto adverbial de tempo).

Nem todo adjunto adverbial é comportado. Irrequieto, o traquinas vive mudando de lugar. Ora vai para o começo da oração, ora para o meio. Aí, sim, vírgula nele. A vírgula indica o deslocamento do arteiro:

• No hospital, infecção matou 24 bebês.
• Infecção hospitalar, no hospital, matou 24 bebês.
• Por enquanto, o homem está perdendo a guerra contra a máquina.
• O homem, por enquanto, está perdendo a guerra contra a máquina.

Mesmo time

As orações adverbiais não fogem à regra. Quando vêm depois da oração principal, estão no lugar delas. Nada de vírgula:

• O TSE pode interferir na eleição para evitar confronto.
• Paulo retirou-se quando o presidente entrou.
• O carro agradou a todos porque apresenta design moderno e bom desempenho.

Se mudarem de lugar, usurpam a casa dos outros. Vírgula, pois:

• Para evitar confronto, o TSE pode interferir na eleição.
• O TSE, para evitar confronto, pode interferir na eleição.
• Quando o presidente entrou, Paulo retirou-se.
• Porque apresenta design moderno e bom desempenho, o carro agradou a todos.
• O carro, porque apresenta design moderno e bom desempenho, agradou a todos.

Obrigatoriedade

No deslocamento da oração adverbial, a vírgula se impõe. No do adjunto, há concessões: se ele for pequeno, é facultativa (as gramáticas consideram pequeno o adjunto formado de uma palavra – ontem, hoje, amanhã. Os jornais, o que tem até três): Domingo Flamengo e Vasco jogam no Maracanã. Domingo, Flamengo eVasco jogam no Maracanã.

É isso. Adjunto e oração adverbiais estão no lugar deles? Palmas. Nada de vírgula. Pularam a cerca? A vírgula denuncia. Cuidado. Não brinque com a pausa. Ao menor descuido, pronto. A frase fica manca e gaga.

Leitor pergunta

No fim do ano irei viajar. Certo?
Celso Lima, BH

Não. O futuro composto se forma com o presente do indicativo do verbo ir. Em vez de irei viajar, escreva vou viajar. Em lugar de irá estudar, fique com vai estudar.

• O TSE pode interferir na eleição para evitar confronto.
• Paulo retirou-se quando o presidente entrou.
• O carro agradou a todos porque apresenta design moderno e bom desempenho.

Se mudarem de lugar, usurpam a casa dos outros. Vírgula, pois:

• Para evitar confronto, o TSE pode interferir na eleição.
• O TSE, para evitar confronto, pode interferir na eleição.
• Quando o presidente entrou, Paulo retirou-se.
• Porque apresenta design moderno e bom desempenho, o carro agradou a todos.
• O carro, porque apresenta design moderno e bom desempenho, agradou a todos.

Obrigatoriedade

No deslocamento da oração adverbial, a vírgula se impõe. No do adjunto, há concessões: se ele for pequeno, é facultativa (as gramáticas consideram pequeno o adjunto formado de uma palavra – ontem, hoje, amanhã. Os jornais, o que tem até três): Domingo Flamengo e Vasco jogam no Maracanã. Domingo, Flamengo eVasco jogam no Maracanã.

É isso. Adjunto e oração adverbiais estão no lugar deles? Palmas. Nada de vírgula. Pularam a cerca? A vírgula denuncia. Cuidado. Não brinque com a pausa. Ao menor descuido, pronto. A frase fica manca e gaga.

Leitor pergunta

No fim do ano irei viajar. Certo?
Celso Lima, BH

Não. O futuro composto se forma com o presente do indicativo do verbo ir. Em vez de irei viajar, escreva vou viajar. Em lugar de irá estudar, fique com vai estudar.