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Fiscais de prova denunciam Cebraspe por servir marmitas estragadas durante concurso da Abin

Fiscais de prova e chefes de sala disseram que a comida oferecida, durante a aplicação das provas no último domingo (11), cheiravam "azedo". A banca informou que a comida é de uma empresa terceirizada e que "continuará adotando providências para responsabilizar a empresa e desligá-la dos eventos realizados da instituição"

12/03/2018 15:30 | Atualização: 12/03/2018 16:42

Mariana Fernandes

Arquivo pessoal
Fiscais de prova e chefes de sala que trabalharam durante a aplicação das provas do concurso público da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no último domingo (11/3), denunciaram o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) por oferecer comida estragada aos que trabalharam na ocasião. Segundo as denúncias, o problema aconteceu com todos os trabalhadores envolvidos no certame, incluindo seguranças e inspetores. 

Segundo um fiscal, que não quis ser identificado, o almoço oferecido pela banca organizadora estava "podre" e "azedo" . Ele participou da aplicação das provas na União Pioneira de Integração Social (UPIS), na Asa Sul. "Fui um dos primeiros a almoçar pois fazemos um rodízio entre os colaboradores. Quando eu abri minha marmita já percebi um aspecto estranho do frango e do feijão, que estavam perdidos. O pior foi a salada, que estava em um pote separado. Quando abri a tampa, subiu um odor de azedo, de alimento estragado mesmo", conta. Ele contou que o cheiro estava tão ruim que deixou o mau odor em todo o ambiente por horas. 

Com isso o almoço foi interrompido e, segundo a denúncia, quase todo o time de colaboradores ficou sem almoço. Para contornar o problema, foram entregues kits de lanches, que seriam servidos no período da tarde, contendo pacote simples com bolacha, doce de banana e barra de cereal. Alguns, conseguiram pedir fast-food.

"Um absurdo! Sendo que todo mundo estava sem almoço. Isso gerou a revolta das pessoas que viram o ocorrido e à tarde chegou um pão com presunto e queijo tentando acalmar as pessoas que estavam com fome. E pra piorar, com o almoço suspenso, os fiscais e chefes de sala não podiam sair para comprar sua própria comida. Isso porque o Cebraspe queria prezar pelo concurso que ainda teria o período da tarde para acontecer".

Arquivo pessoal
"É inadmissível um concurso da Abin, onde a inscrição de cada candidato beirava os 250 reais, a comida para quem estava trabalhando, vir azeda e estragada. Minha indignação é imensa, pois é uma falta de respeito tremenda. Se deixamos isso passar, o desrespeito vai continuar", finaliza.

De acordo com um chefe de sala, que aplicou provas no Uniceub, da Asa Norte, o problema também aconteceu na unidade. "Com a comida estragada, trabalhamos 14 horas seguidas apenas com docinhos. A comida estava fedendo e nem sequer fomos liberados para sair para comprar outra", contou.

Este funcionário relatou ainda que foi picado por uma abelha que estava dentro do refrigerante fornecido. " Corri para a coordenação pedindo ajuda de algum médico ou enfermeiro com medo de uma possível alergia que pode até mesmo levar à morte. Chegando lá, a coordenadora apenas sorriu e disse que a médica não havia chegado. Tive que pedir ajuda dos meus colegas para retirar o ferrão. Minha boca inchou toda. Meus colegas me deram um dorflex, que aliviou um pouco. Um descaso e uma falta de respeito total", relata. 

Um outro fiscal de sala, que também trabalhou na Upis, contou ao Correio que sempre que trabalha com aplicação de provas do Cebraspe , a comida é ruim. " A comida é sempre horrorosa, mas desta vez, tinha até fungos nas folhas da salada. Isso é um absurdo", disse. "Eu cheguei a comer um pouco da salada, só depois percebi o problema. No resto da comida, eu nem toquei". 

Ele ressaltou ainda que trabalhou o dia todo, apenas com um lanche fornecido. "Isso não é um almoço pra quem vai trabalhar 14 horas. Foi um sacrifício. Eu sei que a gente precisa trabalhar e ganhar dinheiro. Mas, foi difícil".
 
Ao Correio, o Cebraspe informou que recebeu as reclamações de colaboradores  e disse que no momento em que tomou conhecimento do problema, o Centro imediatamente tomou as providências para que a situação fosse reparada da melhor forma possível.

A banca também esclareceu que a empresa terceirizada responsável pelo fornecimento de refeições foi, conforme regulamento, contratada por meio de critérios, entre eles, qualidade técnica para atender a demanda. Disse, ainda, que, a partir das reclamações, notificou a empresa para que as providências sejam tomadas de forma a garantir a qualidade nas refeições. "O Cebraspe continuará adotando as providências para responsabilizar a empresa local e desligá-la dos eventos realizados por esta instituição".